Benefícios do exercício físico no sistema cardiovascular
Benefícios do exercício físico no sistema cardiovascular
Revisão: PhD Márcia Netto Magalhães Alves
Os benefícios da prática regular do exercício físico são muitos. É consenso na literatura que o exercício físico moderado regular promove diferentes adaptações no sistema cardiovascular; reduz a frequência cardíaca, a pressão arterial, aumenta o consumo máximo de oxigênio além de alterações benéficas nos músculos cardíacos e esqueléticos. Muitas destas alterações são mediadas por alterações vasculares (1, 2, 3).
Os sistemas cardíacos e respiratórios são particularmente importantes para a manutenção da vida. São responsáveis pelo transporte de oxigênio e de nutrientes para as células, retirada do CO2 e de produtos de metabólitos do corpo, manutenção do equilíbrio ácido base e da temperatura interna corporal, transporte de hormônios para seus alvos; de forma geral, manutenção da homeostase (equilíbrio das funções fisiológicas). Para ser eficiente, o sistema cardiorrespiratório deve responder prontamente a aumento de atividade muscular. Maior atividade muscular está associada a maior resposta desses sistemas, até uma capacidade máxima que é denominada capacidade máxima de consumo de oxigênio (2).
O exercício aeróbio é descrito pelo Colégio Americano de Medicina esportiva como qualquer atividade que envolva o uso de grandes grupos musculares e possa ser mantido de forma contínua e de natureza rítmica (2); o treinamento aeróbio é o que mais beneficia o sistema cardiorrespiratório; é o fator determinante para o maior consumo máximo de oxigênio, por levar a aumento do tamanho e do número de mitocôndrias, da atividade de enzimas oxidativas, do conteúdo de proteínas relacionadas à produção de ATP mitocondrial, do oxigênio nas fibras musculares, da utilização de glicose, do número de capilares, do fluxo sanguíneo muscular e da capacidade de armazenar glicogênio; além disso, proporciona maior habilidade para usar gordura como fonte energética. Assim, a demanda energética do sistema cardiorrespiratório é bastante reduzida, em treinados, e, em consequência, o coração precisa bater menos e a frequência respiratória é reduzida, durante um mesmo esforço .
A realização de exercícios físicos por hipertensos requer muitos cuidados e conhecimento científico. É sabido que durante a realização de exercícios físicos há aumentos da pressão arterial sistólica (PAS) e pode ocorrer aumento da PA diastólica, e da PA média. No entanto, após apenas uma sessão de exercício aeróbio leve a moderado é observado, durante a recuperação, um fenômeno denominado: hipotensão pós exercício. A PA é reduzida, e tem valores menores do que no pré exercício. Esta resposta é importante, em termos clínicos, e estudos têm mostrado que é uma resposta mais evidente em hipertensos jovens e idosos, do que em normotensos; além de ter relevância clínica por manter-se baixa em período de 24h (3). Os estudos com exercícios resistidos também já demonstram redução da pressão arterial, em normotensos mas por tempos curtos e quando realizados em intensidades menores (3).
Os efeitos crônicos do treinamento aeróbio, de redução da PA, são bem relatados especialmente em hipertensos; com benefícios evidentes quando os exercícios são em intensidades baixas a moderadas por períodos longos (3). A mensagem é clara: a prática regular e individualizada de exercício físico deve ser recomendada para a prevenção e o tratamento da hipertensão arterial e o treinamento físico pode ser associado ao tratamento farmacológico minimizando seus efeitos adversos (3). Na próxima revisão vocês verão sobre os benefícios do treinamento aeróbio na frequência cardíaca!
Fontes:
Bechara, LRG; Tanaka, L.Y e Ramires, PR. Cáp. 6 Endotélio e exercício físico. In: Negrão, CE; Barreto, AC. Cardiologia do Exercício, 3a Ed. Manole, 2010.
Hellsten, Y; Nyberg, M. Cardiovascular Adaptations to Exercise Training. Comp. Physiology, 15;6(1):1-32. doi: 10.1002/cphy.c140080, 2015.
Brum, PC; Forjaz, CLM; Tinucci, T; Negrão, CE. Adaptações agudas e crônicas do exercício físico no sistema cardiovascular. Rev. paul. Educ. Fís., São Paulo, v.18, p.21-31, ago. 2004.
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